Uma professora do CMEI Geraldo Figueiredo – Centro Municipal de Educação Infantil no bairro Santa Cruz, de Cascavel, de 54 anos, foi presa preventivamente na sexta-feira (21) pelo Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (NUCRIA) da Polícia Civil do Paraná. Ela é investigada pelos crimes de tortura, maus-tratos, lesão corporal e coação no curso do processo.
De acordo com a delegada Thais Zanatta, responsável pela investigação, o caso envolve quatro crianças já identificadas como vítimas, todas com três anos de idade. A investigação começou em 14 de abril de 2026, depois que o CMEI Geraldo Figueiredo encaminhou uma ficha de referência ao órgão responsável pelo atendimento, acompanhada de vídeos que registravam situações envolvendo as professoras.
“Ela está sendo investigada pelos crimes de maus tratos, lesão corporal, tortura, castigo e também coação no curso do processo”, explicou a delegada.
Segundo Thais Zanatta, as imagens e os depoimentos colhidos durante a investigação apontaram para comportamentos considerados incompatíveis com o cuidado esperado de profissionais que trabalham com crianças pequenas.

A delegada afirmou que os vídeos mostram uma das crianças sendo puxada pelo braço e arrastada dentro de uma sala de aula. Em uma análise mais detalhada das imagens, a polícia também identificou outras situações consideradas graves.
“Hoje, também, após análise mais minuciosa ainda dessas imagens, aparece ela dando garrafas congeladas para as crianças segurarem”, relatou.
Ainda segundo a investigação, uma das crianças teria sido impedida de entrar no tatame existente na sala e obrigada a permanecer sentada no chão frio, usando apenas uma bermuda.
A Polícia Civil também apura possíveis consequências psicológicas provocadas pelas situações vivenciadas pela criança. Conforme relatado pela delegada, ela teria passado a apresentar comportamento de autoagressão, arrancando os próprios fios de cabelo, além de ser colocada em um canto isolado das demais crianças.
“Ela começa a arrancar fios de cabelo. Ela é colocada num canto isolado das outras crianças”, afirmou Thais Zanatta.
A delegada ressaltou ainda que, segundo as informações reunidas pela polícia, essa criança já se encontrava em situação de acolhimento familiar, estando afastada da família biológica.
Prisão preventiva
A prisão da professora ocorreu depois que a Polícia Civil tomou conhecimento de que ela estaria ameaçando e coagindo testemunhas durante o andamento da investigação.
Segundo a delegada, após as professoras descobrirem que o caso havia sido levado ao conhecimento das autoridades, a investigada de 54 anos teria passado a exercer pressão sobre testemunhas, especialmente integrantes da direção do CMEI.
Diante disso, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva da professora ao Poder Judiciário. A investigada foi localizada em sua residência, não ofereceu resistência e foi conduzida para a delegacia.
Ela foi interrogada e, conforme a Polícia Civil, negou os fatos investigados. Depois, foi encaminhada à cadeia pública de Cascavel, onde permanece à disposição da Justiça.
Outras duas professoras são investigadas
Além da professora presa, outras duas servidoras, de 44 e 50 anos, também são investigadas no mesmo procedimento.
A Polícia Civil representou pela aplicação de medidas cautelares diversas da prisão. Entre elas estão a proibição de aproximação e contato com vítimas e testemunhas, além do afastamento das funções públicas.
As duas permanecem em liberdade.
A delegada explicou que, até o momento, a Polícia Civil identificou risco relacionado à conduta da professora que acabou presa, especialmente em razão da suposta coação de testemunhas. A avaliação sobre a necessidade de outras medidas cabe ao Poder Judiciário.
Investigação continua
O inquérito ainda não foi concluído. Segundo Thais Zanatta, as professoras ainda serão interrogadas e a Polícia Civil continuará buscando informações que possam esclarecer o que aconteceu no CMEI.
“Caso apareça mais vítimas, também tentar identificar mais vítimas e ouvir demais testemunhas, ainda que não foram ouvidas”, afirmou a delegada.
A polícia também deverá analisar outras imagens e informações relacionadas ao caso.
A investigação apura, até o momento, quatro possíveis vítimas, mas a Polícia Civil não descarta a identificação de outras crianças que possam ter sido submetidas a situações semelhantes.
Por se tratar de uma investigação em andamento, a responsabilização criminal das investigadas ainda dependerá das próximas etapas do procedimento, da análise do Ministério Público e das decisões do Poder Judiciário.
O crime de tortura possui previsão de pena de reclusão, e, segundo a delegada, há circunstâncias que podem agravar a situação em razão da idade das vítimas e da condição funcional da investigada.
A professora permanece presa preventivamente enquanto o caso segue sob investigação.







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