Corbeliense na Itália conta como é a vida em isolamento no país atingido pelo COVID-19


Os dias para o Corbeliense Alexandre José Bataglin mudaram completamente desde que a Itália começou a sentir o forte impacto da pandemia de coronavírus, COVID-19.

O Ministério da Saúde da Itália registrou ao menos 8.165 mortes pela Covid-19 desde o início do surto. Em um balanço divulgado nesta quinta-feira (26), as autoridades de saúde contabilizaram mais de 62 mil infectados pelo novo coronavírus.

Totalmente isolado Alexandre conta como tem sido o dia-a-dia sem poder trabalhar.

“Fechou tudo, é uma dificuldade enorme para se fazer as coisas. Atrapalhou muito os planos que a gente tinha. Do pessoal que está aqui comigo. Não está fácil. E a gente está o tempo inteiro trancado dentro de casa.”

Alexandre está na região de Abruzos, e cidade onde vive houve apenas um único caso confirmado, rapidamente as autoridades iniciaram o isolamento total.

“Pra sair a gente só pode sair com luva, máscara, todo paramentado. Para entrar no mercado só assim. A polícia para o tempo todo perguntando onde você vai, o que você vai fazer. Se você não tiver uma justificava boa eles te multam. “

Para ir ao mercado é preciso ter uma rotina minuciosa de cuidado e proteção. “Máscara, luva e álcool em gel. Desinfeta tudo o que tem para desinfetar quando chega em casa pra gente não pegar, e não passar para os outros.”

É pela internet que Alexandre acompanha também a vida de outros brasileiros que estão no País. Ele conta que um amigo está na região norte da Itália, a mais atingida pelo vírus, e ele também vive o isolamento total.

“É o mesmo caso, está isolado. Não pode sair. E como ele está numa região mais afetada, o risco é mais próximo.”

A população italiana é composta, em sua maioria, por pessoas idosas, o que tem contribuído fortemente para o número de mortos. No entanto, Alexandre relembra que é importante cuidar de quem está próximo, e evitar que perdemos familiares.

“A mortalidade realmente é de pessoas mais velhas, a Itália está sofrendo muito porque é um país onde tem muitos idosos. Mas, todo mundo tem pai e mãe e avós. Eu tenho o filho aí que tem problema respiratório e bronquite. Estou bastante preocupado com ele. Eu só peço que se cuidem, saiam de máscara.”

Não poder se despedir de quem ama tem sido uma tragédia vista diariamente nos jornais italianos, que trazem atualizações de boletins com número de mortos e infectados. Alexandre confirma a realidade que assistimos nos telejornais brasileiros.

“Não se pode fazer velórios mesmo. As pessoas morrem e já precisam ser enterradas. Ninguém se despede.”

Com hospitais cheios Alexandre ainda nos conta que o Sistema de Saúde Italiano não atende com gratuidade os estrangeiros. Os cuidados para não ser contaminado também envolve o medo de precisar ser internado, e não ter leito disponível.

“A gente está se cuidando ao máximo para não pegar, pra não precisar ir para o hospital, porque eles não vão atender nós. Então agora é pedir para o pessoal se cuidar pra achatar esse curva que eles falam, senão, não vai ter hospital também para todo mundo no Brasil.”

Com a falta de leitos, a Itália começa a enviar seus pacientes para a Alemanha. “A Itália não está dando conta do alto número de pacientes. Eles começaram enviar os pacientes para a Alemanha para ser atendido lá porque aqui já não tem mais espaço para ninguém.”

Para quem vive de perto a pandemia mundial de COVID-19, Alexandre alerta que quem levar o assunto na brincadeira está correndo um grande risco.

“O que eu tenho que falar para as pessoas é que fiquem em casa. Que bom que começaram o isolamento um pouco antes da Itália, porque aqui não levaram muito a sério no começo. E foi por isso que aconteceu, o que aconteceu. Dizer para o pessoal se cuidar, e que não só uma gripezinha igual as pessoas falam. Não é brincadeira, é um negócio muito sério. “

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