O feriado prolongado de Tiradentes registrou alta demanda no atendimento de urgência em Corbélia. De sábado até a madrugada desta quarta-feira, 22, foram contabilizados 541 atendimentos, média de 135 por dia — período em que as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) permaneceram fechadas e os atendimentos acontecem exclusivamente no Pronto Atendimento Municipal, que desde o domingo, 12, foi realocado no Hospital de Clínicas Ecleia Wolf.
Com o aumento no fluxo de pacientes, moradores passaram a relatar demora e dificuldades no atendimento. Uma das reclamações que repercutiu nas redes sociais descreve espera de horas, falta de informações e até pacientes deixando o local sem atendimento:
[sic] Gente pelo amor de Deus o que está acontecendo com a saúde 6 horas pra poder fazer uma consulta sem contar 2 horas pra passar pela triagem os consultórios todos com luz apagadas com médico saindo pela porta de trás sem dar uma satisfação
Mais de 20 pacientes esperando com 1 médico atendendo e olha lá ainda tem pacientes indo embora sem.ser atendido com dor com.filho com febre está complicado isso poderiam dar mais atenção pra saúde heinn [sic].

Diante da repercussão, o prefeito Thiago Stefanello reconheceu que o tempo de espera registrado não é aceitável em casos de urgência e informou que a situação já está sendo analisada pela administração municipal para identificar falhas e corrigir o problema.
Segundo ele, um dos principais fatores para a sobrecarga foi o feriado prolongado, já que as UBSs permaneceram fechadas por quatro dias, o que naturalmente desloca a demanda para o atendimento de urgência e emergência.
Concordamos que consultas de urgência e emergência, quando for o caso, não podem esperar tanto tempo. Já estamos analisando o que houve para buscar medidas para melhorar.
Mas é importante ressaltar que:
Foram 541 atendimentos de sábado à madrugada dessa quarta-feira. Uma média de 135 atendimentos por dia. Com 10 transferências para hospitais de maior complexidade, 3 pacientes intubados e 2 óbitos que demandam atenção por mais tempo de toda a equipe.
Mesmo assim, os relatos indicam que a insatisfação vai além do volume de atendimentos. Pacientes apontam falhas na organização e no fluxo interno após a mudança do serviço para o hospital. Uma mãe relatou ter aguardado mais de quatro horas com um bebê de cinco meses:
[sic] Está complicado msm,mudaram pro hospital,e com a mudança,ainda estão se organizando,mais ficar mais de 4 hrs esperando pra ser atendida é demais,na segunda feira fui com minha bebê que gritava e chorava de dor,tinha dois médicos quando cheguei às 4:30 da tarde,por volta das 6/7h trocaram o plantão e ficou uma médica só,e fomos atendida pq fomos na porta e perguntamos se demoraria MT aínda,um absurdo ficar mais de 4 hrs com um bebê de 5 meses pra ser atendido
Obs:a segunda médica que nos atendeu,estava atendendo mais rápido pq viu que tinha gnt a MT tempo ali já ,pelo oque entendi, é o sistema que tá bagunçado ainda,mais os primeiros médicos que estavam ali,demoravam MT pra chamar os pacientes. [sic]

Sobre a transferência do PAM, o prefeito explicou que a decisão foi tomada por questões estruturais no antigo local, que não atendia exigências básicas como licença sanitária, laudos do Corpo de Bombeiros e estrutura adequada para funcionamento. A mudança, segundo ele, foi necessária para garantir condições legais e operacionais ao serviço.
Ele também destacou que, apesar da troca de local, a estrutura de atendimento segue essencialmente a mesma, com número semelhante de profissionais e, em grande parte, a mesma equipe que já atuava anteriormente. Ainda assim, ressaltou que o desempenho do atendimento está mais ligado à organização e à disponibilidade dos profissionais do que ao espaço físico em si.
Não é o prédio ou local que faz a diferença, independente de onde esteja, e sim a disponibilidade de médicos, enfermeiros e organização.
A quantidade de profissionais para o pronto atendimento do hospital segue a mesma regra do antigo Pam, inclusive com a grande maioria dos mesmos profissionais.
A mudança de local se deu principalmente a falta de estrutura, a falta de licença sanitária, laudo do corpo de bombeiros e gerador de energia.
Na prática, porém, moradores relatam dificuldades como demora e ambiente inadequado. Um dos relatos aponta espera de quase três horas, além de superlotação e falta de ventilação:
[sic] Eu levei meu filho ontem, cheguei às 18:50h, foi atendido e medicado às 21:40h . Muitas pessoas no corredor, sem ventilação, local abafado e com pessoas doentes. Não sei se será assim sempre, mas precisam preparar melhor o local de espera dos pacientes e o atendimento dos médicos ser mais ágil. Entendemos que com a mudança imprevistos e dificuldade podem ocorrer. Aguardamos uma boa solução para não precisarmos ficar horas aguardando atendimento que poderia ser breve. [sic]

Outro ponto recorrente nas reclamações é a desorganização no fluxo de pacientes, especialmente na diferenciação entre atendimentos clínicos e realização de exames:
[sic] Até onde eu sei o Pam vai continuar lá no hospital. É pra ser melhor por causa de exames se precisar, mas infelizmente até momento está tudo bagunçado não sabem quem é pra consulta do Pam ou quem está aguardando pra exames. Deveriam ter se preparado melhor antes da mudança. Infelizmente está uma vergonha a falta de respeito com quem está lá com dor, febre e ter que passar horas esperando pra ser atendido. [sic]
Além das críticas ao atendimento, também houve questionamentos sobre a decisão de manter o recesso prolongado na saúde, mesmo com a previsão de aumento na demanda. O prefeito explicou que a medida seguiu uma prática comum no funcionalismo público, mas reconheceu que, neste caso, o resultado não foi positivo.
Segundo ele, a experiência serviu como um teste, mas já ficou claro que a estratégia não é eficiente e não deve ser repetida em próximos feriados prolongados.
É de praxe o funcionalismo público ter recesso nessas ocasiões. Em 2025 trabalhamos sem recessos. Em 2026 fizemos esse teste, e já ficou claro que na é produtivo. Não vamos repetir esse erro.

Por fim, a administração municipal informou que acompanha a situação diariamente e que já iniciou ajustes para melhorar o atendimento, incluindo mudanças na equipe médica e a possibilidade de reforço no número de profissionais em horários de maior movimento.
A Prefeitura orienta que reclamações formais sejam registradas por meio da Ouvidoria, pelo número (45) 3242-8800, para que os casos possam ser apurados e contribuam para a adoção de medidas corretivas.










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