O El Niño está se formando no Oceano Pacífico e já deixou de ser apenas uma possibilidade distante. O principal sinal disso não está apenas na temperatura da superfície do mar, mas principalmente nas águas mais profundas do oceano, que vêm aquecendo de forma constante há meses. Esse aquecimento é considerado um dos sinais mais confiáveis para indicar que o fenômeno deve se fortalecer nos próximos meses. Quando esse calor chegar à superfície, ele poderá alterar o clima em várias partes do mundo e provocar um período de chuvas acima da média no Sul do Brasil.
É importante destacar que o fenômeno não acontece de forma imediata. O clima ainda passa por uma fase de neutralidade, em uma transição gradual.
Os primeiros efeitos podem começar a aparecer durante o inverno, mas o El Niño deve se estabelecer de forma mais clara entre julho e setembro de 2026. Ainda não há certeza sobre a intensidade do fenômeno, e os modelos climáticos têm dificuldade para prever exatamente o tamanho do evento. Alguns especialistas já falam na possibilidade de um “super El Niño”, mas esse ainda não é o cenário mais provável segundo os órgãos oficiais.
Mesmo com as incertezas, a orientação para os produtores rurais continua a mesma: considerar um período de excesso de chuva no Sul do Brasil como principal cenário para o planejamento da safra 2026/2027. Mesmo que o fenômeno não atinja intensidade máxima, a preparação funciona como uma margem de segurança.
O que apontam os órgãos de meteorologia
Os principais centros meteorológicos do mundo indicam um cenário favorável para o desenvolvimento do El Niño. O Climate Prediction Center (CPC), ligado à NOAA, dos Estados Unidos, atualizou em abril as chances do fenômeno: 61% entre maio e julho, 79% entre junho e agosto e 92% entre setembro e novembro.
Já o Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade (IRI), da Universidade de Columbia, apresentou números ainda mais altos. Segundo levantamento divulgado em abril, a probabilidade de El Niño chega a 88% entre maio e julho e 94% entre julho e setembro.
Outros órgãos internacionais, como o ECMWF e o Met Office, do Reino Unido, também apontam para um evento forte. O Met Office informou que o fenômeno pode ficar entre os mais intensos deste século, embora ainda não utilize oficialmente o termo “super El Niño”. A Organização Meteorológica Mundial também confirmou que praticamente todos os modelos climáticos indicam o desenvolvimento do fenômeno a partir de meados de 2026.
No Brasil, instituições como INMET, EPAGRI/CIRAM e CEMADEN já trabalham com esse cenário em seus boletins climáticos. A EPAGRI/CIRAM informou no fim de abril que existe 80% de chance de o El Niño começar entre julho e agosto, com 25% de possibilidade de ser um evento muito forte.
O impacto das chuvas acima da média
A previsão para a primavera de 2026 e o verão de 2026/2027 indica chuvas acima da média no Sul do Brasil, principalmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. No Paraná, o comportamento deve variar mais conforme a região.
Essas chuvas podem acontecer de duas maneiras diferentes. A primeira é com temporais intensos em curtos períodos, acompanhados de ventos fortes e granizo. A segunda é com vários dias seguidos de chuva persistente, dificultando atividades no campo, como plantio, pulverização e colheita.
Riscos para as lavouras
A primavera de 2026 é considerada o período mais delicado para algumas culturas. O trigo pode enfrentar problemas justamente nas fases de florescimento e maturação, aumentando o risco de perdas na produção e na qualidade dos grãos, além do surgimento de doenças.
O arroz irrigado pode sofrer com atrasos no plantio e risco de alagamentos. Já a soja e o milho da primeira safra podem enfrentar dificuldades devido ao excesso de umidade no solo, prejudicando o desenvolvimento das plantas.
Por outro lado, no verão 2026/2027, áreas com boa drenagem podem se beneficiar da maior disponibilidade de água e do menor risco de estiagem. Em contrapartida, regiões com drenagem ruim podem registrar encharcamento, perda de nutrientes no solo, aumento de doenças nas lavouras, atraso na colheita e queda na qualidade dos grãos.
Com informações do Agrolink.









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