Covid-19: visita virtual conforta familiares de pacientes internados no Hospital Universitário


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É através de uma ligação, uma chamada de vídeo, mensagem, áudio ou até mesmo uma informação da evolução do quadro clínico, que os familiares se sentem mais confortáveis após a internação de um familiar. Sem visitas, nesse momento da pandemia da Covid-19, as angústias são ainda maiores para a família de quem foi acometido com a doença.

“Quando soube que meu marido iria para a UTI e precisaria ficar entubado, foi desesperador”, conta Ednéia Teresinha dos Santos. Na quinta-feira (18) o esposo, Admir Modesto da Silva, foi transferido para a Ala Covid-19 do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (Huop), e a partir dai as visitas foram apenas virtuais.

“No primeiro dia ele estava dormindo, e a equipe me deixou bem à vontade para conversar através de uma chamada de vídeo. Nós da família mandamos força, dissemos que estávamos esperando por ele e orando para que ficasse bem”, comenta.

Ednéia é um dos familiares que teve o contato com o paciente por vídeo chamada na UTI da Ala Covid-19. Nesse momento da pandemia, a equipe multidisciplinar do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (Huop) criou um grupo de comunicação, composto por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, fonoaudiólogos e nutricionistas, para que haja esse diálogo mais ágil e acolhedor. “O boletim médico é informado pelo médico responsável, e então, a equipe multidisciplinar também realiza o acolhimento e se for de comum acordo, é feito a vídeo chamada para facilitar esse encontro entre familiar e paciente, e proporcionar uma visita semelhante à presencial”, afirma coordenador médico da Ala Covid-19, Gabriel Kreling.

O Admir saiu da sedação na quarta-feira (24), e conseguiu mesmo na UTI fazer o contato e conversar com toda família. “Tranquilizamos ele de que nós estávamos bem e em oração para que ele se recuperasse logo”, diz Ednéia. Ele recebeu alta da UTI na quinta-feira (25), e se recupera em um leito de enfermaria. A expectativa agora é a volta para casa. “Não deixamos de conversar com ele nenhum dia, e só temos a agradecer por todo esse apoio da equipe nesse momento”, comenta a esposa.

A visita virtual proporciona um momento único entre familiar e paciente, mesmo se em silêncio, em oração, com canções, e até mesmo com palavras de perdão e carinho. “Esse é o momento em que confortamos a família para que compreendam que mesmo na ausência física, o paciente não está sozinho, e que tem toda uma equipe auxiliando no tratamento. Sabemos que a condição psicológica pode estar abalada e isso gera sofrimento. Por isso é importante ter ações como essa para evitar problemas de estresse pós-traumático”, explica Gabriel.

A equipe multidisciplinar é a responsável por acompanhar e identificar as particularidades de cada familiar para evitar esse sofrimento. “Há um pânico por conta do vírus, então precisamos utilizar a tecnologia a favor dos usuários do SUS, para tornar possível o acolhimento. Ouvir quem está acompanhando o paciente internado traz um conforto importante para os familiares. Mais do que nunca, compreendemos que o cuidado do paciente também faz parte do cuidado com a família e vice-versa”, diz a psicóloga Mônica Stelmach.

De acordo com a psicóloga, os familiares de referência para a comunicação já são identificados ainda no momento da internação pela equipe do Serviço Social e Psicologia. “Precisamos ter o conhecimento de como eles estão e como vão lidar com as dificuldades que estão por vir, como a possibilidade de voltar para casa, ou até mesmo, a possibilidade de morte, para que então, haja uma preparação”, diz. “Durante o período de internação, esse contato é essencial para fortalecer os laços afetivos entre familiar e paciente. É importante ressaltar que é um momento de isolamento social, mas não de isolamento afetivo”, complementa Mônica.

E quem acompanha toda essa evolução do paciente, e muitas vezes, até se emociona com as visitas, é a equipe da Enfermagem. “Essa comunicação é importante para aproximar, dar a eles a chance de falarem o que sentem, motivarem os pacientes ou até mesmo se despedirem. O toque infelizmente não é possível, mas a visualização e as palavras de apoio são fundamentais”, finaliza a enfermeira, Erica Rosa da Silva Zanini Bandeira.

A chamada de vídeo para pacientes da UTI da Ala Covid-19 é realizada no período das 15h às 17h, e é a equipe quem liga para o familiar que foi referenciado no momento da internação. “É uma UTI de alta complexidade, então estipulamos uma equipe e um horário para isso”, explica Gabriel. “É com toda certeza um momento benéfico para todos, até para os pacientes. Não há evidências de que estejam ouvindo, mas a presença é muito salutar”, enfatiza. 

Fonte: Hospital Universitário

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