A vida no campo e as características culinárias são atrativos no turismo rural

Fotografia: Lindiagane Silveira - Todos os direitos reservados Copyright © 2019

 “Na rua, na chuva, na fazenda. Ou numa casinha de sapê” já dizia o bom e saudoso Tim Maia. E é numa casa de madeira bem cuidada, com detalhes que relembram a década de 50 que muitas famílias escolhem repousar. A Pousada Braun em Nova Aurora preza pelos detalhes, mas, mais ainda pela experiência que envolve um misto de lembranças de casa de vó e a culinária.

Para muitos as férias se resumem na tranquilidade que o campo oferece, e para outros, essa tranquilidade e atividades que são tão simples no dia-a-dia se tornaram um negócio. O Turismo Rural já é fonte de renda para diversas famílias que vivem do agronegócio, como na família da Edimara Braun. A pousada já recebe visitantes em busca de tranquilidade e uma boa culinária há 10 anos, e ao longo do tempo foi ampliada e teve alto investimento no turismo que hoje representa 50% da renda da família, mas ainda não é a atividade principal.

Na pousada toda a família se envolve em atender os turistas, a mãe de Edimara, o pai, a irmã e até a filha de três anos que leva os pequenos para um banho na fonte que decora uma das entradas. Todos se envolvem nas atividades oferecidas para aqueles que escolheram ficar longe do movimento das grandes cidades. E por ali a tecnologia chegou em poucos itens “Mas tem ar condicionado, Wi-fi e o bebedorouro de água, tem isso de moderno”.

Na cozinha, nada passa despercebido e cuidar das receitas também faz parte dos afazeres. No café da manhã que nos foi servido provamos queijos de vinho e temperado, todos feitos na propriedade: o pão de queijo com salame, que também está entre os preferidos dos hóspedes, os sucos naturais com frutas colhidas na propriedade também ganham um espaço especial na farta mesa de café colonial.

E foi pela boca que ela ganhou outros visitantes. Ao menos uma vez ao mês, a família organiza um tradicional “Café Colonial” ou uma noite de comida típica com sopas e caldos, ou mesmo a chamada galinhada. Por apenas R$30,00 o visitante saboreia pães, broas, salame, bolos, salgados, queijos tradicionais e tantos outros itens que são fabricados com itens colhidos no sítio, e que trazem a sensação de “lembrança de casa da vó”.

O leite de búfala está entre as honrarias da casinha que recebe hóspedes de diversos estados brasileiros, e até do exterior. Edimara conta que os hospedes daquela semana eram especiais. Uma família alemã veio à cidade para um casamento, e se hospedaram na pousada em busca de aproveitar a estadia para descanso e conhecer a região.

A pousada que recebe quem busca tranquilidade é também o mesmo espaço que ganha histórias de amor. Todos os meses ao menos um casamento é celebrado, ou comemorado nas grandes salas, com cucos na parede, um rádio antigo, e uma roda de carroça como lustre da sala principal. E qualquer parede dá espaço para a criatividade dos fotógrafos.

Ao longo dos anos, a pousada direcionou seu atendimento à hospedagem. Por isso não são oferecidas atividades rurais, mas Edimara conta que muitos hóspedes se encantam com os animais.  “Quem vem de fora muitas vezes nunca viu um animal de perto. Lembro que teve um senhor de 50 anos que queria pegar um porco no colo, e nunca tinha visto. Tem muita gente que não tem aquele contato com a parte rural.”

AVENTURA COM TIROLESA, CAMPING, ANDAR À CAVALO OU CHARRETE E AINDA PODER DESFRUTAR DE UM BANHO DE CACHOEIRA

O contato com o rural é o que o Messias Schilienwe proporciona para quem aluga o chalé de madeira à beira de uma lagoa em seu sítio no interior de Braganey. O Recanto das águas surgiu há pouco mais de dois anos, e além da hospedagem, Messias proporciona atividades rurais como pescar, andar a cavalo ou de charrete, tirolesa e banho de cachoeira. “Eu tinha um pesque-e-pague, aí fazia uma friturinha ali, ficava meio corrido para mim. A esposa engravidou, parei com tudo. Deu a ideia de alugar, comecei a alugar, começou a ter muito pedido, fiquei só alugando, porque é mais viável para mim. O pessoal vem e eu não me envolvo muito com o serviço, fico acompanhando com charrete, preparando os cavalos e colocando eles na tirolesa.”

No Recanto, o Messias conta que as famílias se reúnem para conversas, rodas de viola, camping e churrascos, mas o que mais chama a atenção dos pais é a liberdade que o local proporciona aos pequenos. “É gratificante ver os pais falarem que o filho até esquece o celular e internet, esquece do mundo, fica andando de cavalo, esquece a correria da cidade. Vejo criança com medo de montar em cavalo, e na hora de ir embora, perdeu o medo e já queria levar o cavalo embora”.

O espaço conta com um chalé que pode acomodar em média até trinta pessoas, dois espaços exclusivos para churrasco com mesas e churrasqueira, três represas para pesca, espaço para camping, seis cavalos disponíveis para os visitantes andar e ainda três pôneis para as crianças. Mas, a grande atração do Recanto, é mesmo a bela cachoeira de oito metros de queda no Rio das Antas que corta a propriedade.  “Tem passeio de cavalo, charrete, cachoeira, o pessoal vai lá, esquece e fica a tarde toda lá. Tem tirolesa, pescaria, peixinho que pega ali pode fritar aqui”. 

Atualmente Messias divide o tempo do trabalho como servidor público com o atendimento aos hóspedes a partir das 17h, mas o sonho de estar unicamente dedicado ao turismo rural também o acompanha. “Sempre tive na mente um negócio desses: turismo, pousada. Penso em aumentar, construir mais chalés para atender mais pessoas ao mesmo tempo”.

Fotografia: Lindiagane Silveira – Todos os direitos reservados Copyright © 2019

Turismo rural é fonte de renda sustentável e de valorização da cultura local

A Agência de Desenvolvimento Turístico do Oeste do Paraná (Adeturoeste) foi criada justamente para impulsionar e auxiliar empreendedores rurais como a Edimara e o Messias. O presidente Carlos Eduardo Rocha da Silva conta que o Oeste do Paraná ainda vive o chamado turismo de eventos, em que os visitantes vêm para a região para participar de eventos realizados aqui como o Show Rural por exemplo. No entanto o turismo rural e o ecoturismo vêm se destacando, principalmente quando se trata de proporcionar experiências aos visitantes. “É um potencial que nós temos, uma coisa que ainda não está sendo explorada como deveria ser. Ela pode ser uma atividade muito sustentável para todos e acaba injetando na economia valores de outros lugares, o turismo não é uma renda circulante do próprio local. Isso acaba deixando a região mais rica.”

Atualmente, o Paraná possui rotas do turismo subdivididas. As 14 Regiões Turísticas oferecem ao visitante uma estimulante jornada, seja qual for seu perfil. São elas: Campos Gerais – Cataratas do Iguaçu e Caminhos ao Lago de Itaipu – Corredores das Águas – Ecoaventuras Histórias e Sabores – Entre Matas, Morros e Rios – Lagos e Colinas – Litoral do Paraná – Norte do Paraná – Norte Pioneiro – Riquezas do Oeste – Rotas do Pinhão – Terra dos Pinheirais – Vale do Ivaí – e Vales do Iguaçu.   “Quase todos os nossos municípios fazem parte da rota do turismo, e isso é muito bom. Significa que ao menos um empreendimento na cidade tem registro no Ministério do Turismo.”

Esse registro no site Ministério do Turismo é crucial para que as agências de viagens incluam as atividades, ou hospedagens nos pacotes de viagem, mas também para é importante para que o empreendedor tenha acesso à benefícios exclusivos ao turismo. “Isso é importante porque nós vamos criando um inventário do turismo, como levantamento de quantas pousadas tem no município, quantos hotéis e quantos atrativos naturais a região possui. Mas as pessoas ainda não conhecem toda essa estrutura. Tem locais que nem mesmo a própria prefeitura ou a população não se dá conta que tem um atrativo turístico.”

Para que o turismo rural se torne fonte de renda para famílias de regiões como a de Corbélia, Braganey, Nova Aurora ou Cafelândia é preciso que se crie uma identidade cultural que valorize a história local e preserve os hábitos, mas principalmente que os moradores conheçam a própria região e a valorizem. “Ainda é uma coisa muito empreendedora o turismo rural na nossa região. É uma região nova, e é difícil que cada município tenha sua identidade. Se você perguntar o prato típico da região eles vão te dizer um, mas se a pessoa quiser comer aquele prato é difícil ela conseguir. São essas coisas que nos vamos ter que ir resolvendo.”

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E boa leitura! 

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