Em 2024, o HUOP notificou 70 casos de morte encefálica e realizou 30 captações, totalizando 99 órgãos e tecidos captados. A taxa de autorização familiar chegou a 83%. Em 2025, foram registradas 77 mortes encefálicas, realizadas 57 entrevistas familiares e efetivadas 36 doações, com autorização familiar de aproximadamente 77%. Já em 2026, os dados parciais apontam 42 mortes encefálicas, 35 entrevistas familiares e 26 doações.
Por trás desses números estão histórias como a de Karen Kruger, de 40 anos. Antes do transplante, ela já convivia havia cerca de três anos com uma doença renal. Após o agravamento do quadro, precisou ser internada e iniciar uma hemodiálise de emergência.
A mudança afetou diretamente o cotidiano marcado pelo trabalho e por diferentes atividades. Com dois empregos, passou a dedicar duas vezes por semana cerca de quatro horas ao tratamento. “Eu era uma pessoa bem ativa, tinha dois trabalhos, e ter que parar quatro horas, duas vezes na semana, para fazer hemodiálise foi bem difícil”, conta.
A rotina, que antes era dividida entre trabalho e compromissos diários, passou a ser medida também pelo tempo gasto em uma clínica. Karen precisava parar duas vezes por semana. Eram horas dedicadas a um tratamento que se tornou essencial e que começou a reestruturar a vida que levava até aquele momento. Acostumada com a agitação, começou a lidar com um tratamento que determinava seus dias.
A hemodiálise consumia várias horas da semana, ao passo que a espera por uma melhora se tornava uma constante no dia a dia. Karen ficou um ano na fila de espera por um transplante. A possibilidade veio por meio de uma doação em vida de sua mãe, que foi compatível e se tornou doadora.
O período após a cirurgia também exigiu mudanças. Nos primeiros meses, houve restrições na alimentação, uso de máscara, redução do contato com outras pessoas e cuidados para evitar exposições. Com a recuperação, a rotina começou a retornar. “Hoje estou voltando ao normal, trabalhando, fazendo atividade física e cuidando dos meus filhos. Não me sinto mais cansada como me sentia antes”, afirma.
Para ela, o transplante representou uma mudança que vai além da recuperação física. “Significa vida nova. Uma nova chance de fazer mais pela minha família e pelo próximo. Não se importar com os problemas pequenos e agradecer mais”.
A experiência também mudou sua percepção sobre a doação. Mesmo tendo recebido um rim de uma doadora viva, Karen reforça a importância de as famílias conversarem sobre a possibilidade de doar órgãos após a morte de um familiar. “Entendo que é difícil para uma família, mas é uma forma de transformar uma perda em esperança e recomeço para outras famílias. É uma pessoa que pode voltar a enxergar, outra que pode não precisar mais fazer hemodiálise. A vida precisa continuar”, diz.
No Paraná, até novembro de 2025, foram realizados 1.715 transplantes, incluindo 410 de rim, 264 de fígado e 29 de coração, além de transplantes combinados e aproximadamente mil transplantes de córnea.
Embora o HUOP não seja um centro transplantador, a instituição integra a rede responsável por tornar esses procedimentos possíveis. Entre a identificação de um potencial doador e a chegada de um órgão a um paciente que aguarda na fila, existe uma estrutura que depende de equipes, protocolos e, principalmente, da autorização das famílias.
É justamente nesse ponto que o Setembro Verde concentra sua principal mensagem, ao reforçar que a decisão sobre a doação não precisa começar dentro de um hospital, mas antes, em uma conversa entre familiares, na manifestação de um desejo e na coragem de falar sobre um assunto que, muitas vezes, é evitado. Em um momento de perda, saber qual era a vontade de quem partiu pode oferecer à família mais segurança diante de uma decisão difícil; para quem espera por um órgão, essa escolha pode representar a possibilidade de retomar uma rotina interrompida pela doença, voltar ao trabalho, aos encontros, à convivência e aos planos que ficaram. A doação não elimina a dor de uma despedida, mas pode fazer com que outras histórias encontrem a chance de continuar.
Corrida pela Vida
O Dia 27 de setembro é oficialmente a data escolhida para fomentar a conscientização sobre a Doação de órgãos, e em 2026 é também o dia escolhido pelo HUOP para a realização da Corrida pela Vida.
As inscrições seguem abertas pelo site: www.rodrigocirilo.com.br,







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