A morte de uma menina de 5 anos dentro da própria casa, em Ramilândia, no Oeste do Paraná, mobilizou as forças de segurança na manhã desta terça-feira (8) e levou à prisão do pai da criança, André Juan de Oliveira Cerdan, de 30 anos.
Rebeca Yasmin Cerdan foi encontrada sem vida após sofrer uma constrição na região do pescoço. O homem confessou o crime durante interrogatório e, segundo a Polícia Civil do Paraná (PCPR), foi autuado em flagrante por vicaricídio.
A ocorrência começou a ser atendida pela Polícia Militar após a equipe receber a informação de que uma criança havia sido morta por asfixia e de que o possível autor ainda estaria dentro da residência. Segundo o tenente Rafael de Jesus da Polícia Militar, as equipes se deslocaram rapidamente até o endereço, onde já havia uma equipe médica do município realizando os primeiros atendimentos.
O pai foi localizado em um dos cômodos da residência. De acordo com o tenente, ele não apresentou resistência à abordagem e foi detido pelos policiais. A própria avó paterna da menina, mãe do suspeito, forneceu informações à equipe sobre o que havia ocorrido.
A movimentação policial ocorreu em meio à tensão provocada pelo crime. Conforme relatado pelo tenente, populares chegaram a tentar se aproximar da residência, que já estava isolada pela Polícia Militar, com a intenção de fazer justiça com as próprias mãos. Foi necessário que os policiais realizassem a contenção verbal para impedir que as pessoas entrassem no local e garantir a preservação da área para o trabalho das autoridades.
O apoio de um helicóptero também foi acionado durante a ocorrência. Segundo Rafael de Jesus, inicialmente não havia certeza de que o suspeito estivesse efetivamente contido. Como havia uma área de mata próxima à residência, a aeronave foi utilizada como apoio ao cerco policial e às buscas, caso fosse necessário localizar o homem.
A dinâmica anterior à morte começou a ser reconstruída a partir do relato da família. A mãe da criança estava trabalhando e não se encontrava em casa. A menina permanecia dormindo em um dos quartos, enquanto o pai estava na residência.
Pouco antes do crime, a avó paterna havia saído para fazer compras em um supermercado. Segundo o relato repassado à Polícia Militar, o filho já apresentava comportamento bastante agitado antes de ela deixar o imóvel.
Quando retornou, aproximadamente uma hora e meia depois, a avó encontrou a neta caída em um dos cômodos. Ela pegou a criança no colo e a levou para outro quarto, onde percebeu alterações na fisionomia da menina. Diante da situação, acionou o atendimento médico do município.
A Polícia Civil esteve no local e iniciou a apuração das circunstâncias da morte. Conforme o delegado Emanuel Almeida, da Delegacia de Polícia de Matelândia, havia sinais na região do pescoço da criança compatíveis com a forma como o próprio pai posteriormente descreveu o crime.
O homem foi levado para a delegacia, onde passou por interrogatório audiovisual. Segundo o delegado, ele confessou ter matado a própria filha e relatou que havia consumido cocaína e maconha durante a noite e a madrugada. O suspeito também afirmou que não havia dormido durante a noite e apresentava sinais de alteração decorrentes do uso de entorpecentes.
Durante o depoimento, de acordo com a PCPR, o homem afirmou ter tido um surto psicótico acompanhado de ideações religiosas. Manifestações desse tipo também teriam ocorrido enquanto as equipes policiais atendiam a ocorrência.
Apesar disso, após a conclusão do interrogatório, o investigado apresentou outra explicação para a prática do crime. Conforme relatado pelo delegado, ele afirmou aos policiais que matou a filha com a intenção de atingir a mãe da criança.
É justamente esse elemento que levou a Polícia Civil, neste momento inicial da investigação, a autuá-lo por vicaricídio. O termo é utilizado para designar a morte de um filho praticada com o propósito de atingir o outro genitor, causando-lhe sofrimento.
A investigação também busca esclarecer o contexto familiar que antecedeu o crime. Segundo a Polícia Civil, existem relatos de uma relação conturbada entre o homem e a mãe da criança. A Polícia Militar também recebeu informações sobre discussões anteriores entre o casal, mas, conforme destacou o tenente Rafael de Jesus, nada do que foi relatado até agora justificaria a violência praticada contra a menina, que estava dormindo no momento do crime.
Outro ponto que chamou a atenção dos policiais foi justamente o fato de a criança estar dormindo e indefesa quando foi morta.
Durante o atendimento inicial, o pai também teria apresentado comportamento desorientado. Segundo o relato da Polícia Militar, ele estava em estado de choque e não conseguia explicar à própria mãe o que havia acontecido. Posteriormente, já na delegacia, acabou confessando o crime.
A PCPR informou ainda que o homem negou qualquer prática de natureza sexual contra a filha. Até o momento, não foram encontrados indícios dessa natureza durante a investigação.
O delegado Emanuel Almeida explicou que um interrogatório complementar poderá ser realizado posteriormente, inclusive porque o primeiro depoimento ocorreu enquanto o investigado apresentava sinais relacionados ao consumo de entorpecentes e afirmava estar sem dormir desde a noite anterior. A intenção é permitir novos esclarecimentos sobre a dinâmica e, principalmente, sobre a motivação do crime.
Segundo a Polícia Civil, o homem afirmou ainda estar arrependido do que fez. Ele permanece sob custódia do sistema penitenciário e à disposição da Justiça.
O corpo de Rebeca foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) de Foz do Iguaçu para os procedimentos necessários.
A legislação aplicável ao crime pelo qual o homem foi autuado prevê pena de 20 a 40 anos de reclusão, com possibilidade de aumento de um terço até a metade, conforme informado pela PCPR. Em tese, a pena pode chegar a 60 anos.
A Polícia Civil continua as diligências para esclarecer integralmente a dinâmica da morte e os fatores que levaram o homem a cometer o crime contra a própria filha.






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