Hospital de Campanha conclui atendimento à municípios vizinhos, e passa ser exclusivo de Corbélia

O Hospital de Campanha Microregional montado no Centro de Eventos do Município de Corbélia, para atender exclusivamente pacientes com suspeitas ou confirmados com COVID-19, está encerrando seus atendimentos aos municípios vizinhos para qual também prestava atendimentos laboratoriais e médicos. O Hospital se manterá ativo, mas somente para moradores de Corbélia.

O encerramento dos atendimentos aos municípios de Cafelândia, Nova Aurora, Anahy, Braganey, Iguatu e Santa Tereza já estava previsto, e dentro do planejamento financeiro e de trabalho da equipe de Saúde de Corbélia. Todos os secretários de saúde se reuniram na última semana para avaliar a situação dos atendimentos e leitos disponíveis no Estado como explica a Secretária Municipal de Saúde de Corbélia Cleide Messias.

“O encerramento se dá também porque já há algum tempo temos vistos a Secretaria Estadual de Saúde, 10ª Regional de Saúde e Secretaria Municipal de Cascavel, tem anunciado um alto número de leitos de enfermaria disponíveis para tratamento da COVID-19. Então se tem vaga sobrando em Cascavel, não justifica nós em Corbélia e os municípios da microrregião realizar investimentos em leitos de alta complexidade pra retaguarda se não tem necessidade.”

De acordo com a Secretária, o Governo Estadual não enviou nenhum tipo de auxílio financeiro, de insumos ou medicamentos para dar suporte a estrutura montada no município.

“Desde o início o Governo do Estado, se manifestou que não tinha interesse de ajudar, como não ajudou com nenhum real o Hospital de campanha. Apesar de todos os atendimentos que fizemos, mesmo assim o Governo do Estado não se manifestou em nenhum momento com alguma forma de apoio.”

Para o Prefeito de Anahy Carlos Reis, o Hospital montado em Corbélia foi extremamente importante no tratamento dos pacientes, mas também pela organização de trabalho, já que com a estrutura disponível foi possível que as prefeituras dessem mais atenção as ações dos seus municípios no combate à pandemia.

“Foi uma iniciativa importante do Governo Municipal, em especial da Secretária Cleide e do Prefeito Dr. Giovani, foi um suporte extremamente importante, eu reforço inclusivo que graças a essa estrutura Anahy não teve nenhum óbito. Se montou aqui um fluxo de atendimento em que o primeiro atendimento era em Anahy. Se o caso fosse suspeito encaminhava-se para hospital de retaguarda em Corbélia, confirmando e necessitando de um atendimento mais especializado, o próprio Hospital de retaguarda já se encaminhava para Cascavel.”

Com os casos estabilizados em Anahy, o Prefeito reforçou que a estrutura foi fundamental para salvar vidas, e agradeceu à iniciativa do Governo de Corbélia.

“É uma estrutura que possibilitou que nós pudéssemos salvar vidas, sem dúvida. E isso não tem preço. A gente agradece essa disponibilidade de Corbélia de nos colocar como parceiros deste hospital, que nos deu a tranquilidade para que nós pudéssemos nos preocupar com outros cuidados no que se refere ao combate da COVID-19. Porque nós tínhamos uma estrutura muito bem montada, técnica profissional, que deu suporte e volto a falar, nós tivemos 25 casos, e felizmente esse número está estagnado há um bom tempo, mas todos os casos foram muito bem tratados e possibilitou que nós tivéssemos sucesso nesse tratamento, enfrentamento ao COVID-19.”

De acordo com um balanço realizado pela Secretaria Municipal de Saúde, o Hospital de Campanha internou mais de 50 pacientes das cidades que fizeram parte da microrregião de atendimento desde a abertura no mês de abril, até o último dia 31 de julho.

Mesmo com o funcionamento pleno do Hospital, Cleide lembra houve dificuldades em conseguir a transferências de pacientes graves que chegavam para os atendimentos. Com o encerramento das atividades para as cidades vizinhas acende uma alerta ainda maior.

“A gente tem tido muitas dificuldades na transferência dos pacientes. Não sabemos sabe onde está o problema no Estado, mas a gente tem muita dificuldade. Nós tivemos pacientes que esperou seis dias, cinco dias, pacientes muito grave, que ficou mais de 19 horas na fila de espera para transferência. Inclusive agora recentemente, neste mês.”

Cleide também explica que mesmo com essa dificuldade o encerramento dos atendimentos é necessário também pelo quesito financeiro, já que os atendimentos especializados disponíveis até agora no Hospital de Campanha não é responsabilidade do município, e sim do Governo do Estado.

“Eu temo um pouco pela regulação dessas vagas, pela dificuldade que a gente tem, pra colocar esse paciente na referência em Cascavel, mas penso que a gente também não pode manter uma estrutura, o gasto enorme que a gente tem, se o Estado, que é o responsável por esses leitos, responsável por essa complexidade de internação vem falando que tem vaga sobrando. Então essa a principal motivo para a decisão do encerramento das atividades do Hospital de Campanha para os municípios vizinhos.”

A estrutura contou com uma equipe exclusiva para os atendimentos no local com 12 médicos, 9 enfermeiros, 6 técnicos de enfermagem, 3 condutores de ambulâncias, e ainda 18 trabalhadores de serviços gerais, 4 vigias e 1 estagiário.

Os custos do Hospital foram divididos em Custos de Consumo, Custos de Implantação e Custos com Recursos Humanos, e o custo médio mensal foi pouco mais de R$460 mil reais. Um valor que segundo a Secretária de Saúde foi investido da melhor maneira, já que a estrutura foi pensada de maneira preventiva.

Dos 54 leitos, sendo 3 de UTI e 51 de enfermaria, ficarão ainda 10 leitos disponíveis para os moradores de Corbélia. A estrutura segue realizando atendimentos à todos os pacientes suspeitos e confirmados com a doença que necessitam de cuidados mais especializados. É neste espaço também que acontecem as consultas, e coletas de exames.

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