Comércio de Corbélia sofre impactos da pandemia e enfrenta crise

FOTOGRAFIA LINDIAGANE SILVEIRA

Assim como todas as cidades do Brasil Corbélia vem enfrentando os impactos causados pela pandemia de COVID-19, seja pela queda no consumo, impulsionado pela redução de circulação de dinheiro, ou pelos fechamentos em sua maioria não programados com a antecedência necessária para os empresários se preparem para amenizar o prejuízo financeiro.

Um levantamento realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgado no início do mês, apontou que 75 mil estabelecimentos comerciais com vínculos empregatícios fecharam as portas no Brasil em 2020, primeiro ano da pandemia da covid-19. Esse número é calculado a partir da diferença entre o total de abertura e de fechamento das lojas.

E o fechamento de lojas e lanchonetes é uma realidade vivida pelos pequenos empresários. Márcia Guariente é Presidente da Associação do Comércio de Corbélia – ACICORB, e explica que o momento é delicado, pois já havia uma quebra acumulada do ano passado que foi trazida para 2021.

“Hoje a situação do comércio de Corbélia está bem complicada, eu acredito que vamos ter umas empresas que irão fechar. O comércio já tinha sofrido perdas no ano passado com vários dias fechado, com o cancelamento das faculdades e escolas com a falta de eventos e o distanciamento social. E esse ano não esta sendo diferente.”

Para impulsionar as vendas e recuperar parte do prejuízo a ACICORB havia programado para a primeira semana da março o tradicional Feirão Ponta de Estoque Corbélia, que foi cancelado devido ao Decreto do Governo Estadual que entrou em vigor poucos dias antes.

“No ano passado já não conseguimos fazer, e esse ano também foi cancelado um dia antes do evento, gerando inclusive prejuízo para associação que arcou com todas as despesas, eu acredito que as perdas causadas por essa Pandemia só serão superadas no próximo ano ou até mais.”

O Secretario de Desenvolvimento Econômico de Corbélia Andreo Eliezer Fontana compartilha das dores enfrentadas pelos empresários, segundo ele, desde o início o Governo Municipal vem tentando de diversas maneiras barrar a contaminação da COVID-19 no município de maneira que não afetasse os microempreendedores.

“Nós, como município, acreditamos que esse planejamento (de fechamento) deve ser tomado com um pouco de antecedência, afim de preservar esses pequenos comerciantes, para que eles não fossem atingidos por um lockdown no início do mês.”

Apesar da reunião da AMOP junto ao Secretário de Saúde do Estado, Beto Preto, e insistência de diversos prefeitos, a liberação para abertura não foi alcançada e o comércio mais uma vez ficou fechado no início do mês.

O empresário José Francisco Camero trabalha no setor de moda e lamenta o período vivido, e relata como a redução nas vendas ocasiona uma série de problemas subsequentes.

“O fechamento do comércio teve um feito fortíssimo sobre o faturamento, primeiro pelos dias do mês que ficamos fechados. Período de entrada importante de dinheiro em caixa e com as principais obrigações de custo fixo como salários e aluguel. Segundo que os primeiros dias são o período mais relevante de vendas do mês, e as vendas que não ocorreram nestes dias, não aconteceram posteriormente. Conseguimos observar isso, pois o faturamento nos dias que sucederam o fechamento não atingiu o faturamento acima do já previsto para os dias se não tivesse o fechamento.”

O fechamento também gerou prejuízo para as lanchonetes. Mesmo com o fim do lockdown a restrição do toque de recolher das 20h às 5h, colocava as lanchonetes trabalharem por apenas duas horas. Para amenizar os problemas financeiros gerados pelo pouco tempo de atendimento, o município determinou em decreto municipal o toque de recolher a partir das 22h até as 5h.

“São duas horas só de atendimento, totalmente inviável. A gente sabe que eles estão atendendo em delivery mas mesmo assim diminui bastante o atendimento deles. São todos pequenos comerciantes, e isso acaba impactando bastante na saúde financeira que empregam várias pessoas no município de Corbélia. Cerca de 45% dos empregados de Corbélia trabalham em pequenos estabelecimentos.”

Os empréstimos disponibilizados pelo Governo Estadual através da Fomento Paraná já são oferecidos aos Microempreendedores Individuais – MEIs e Microempresário na Sala do Empreendedor de Corbélia.

Mas, o que todos querem é poder voltar a vida normal com segurança. Tanto governo quanto empresários concordam que a saída mais rápida da pandemia é uma questão sanitária que depende diretamente da imunização por meio das vacinações disponibilizadas pelo Governo Federal.

Os prefeitos se unem em um Consórcio Nacional a fim de negociar para que um maior número de doses sejam entregues nos municípios. Corbélia assinou a participação no Consórcio, mas depende ainda de negociações com o Governo Federal para que o trabalho gere resultados efetivos.

Enquanto empresários, prefeitos e população aguardam uma solução fica-se a esperança de que a crise futuramente será apenas uma lembrança de tempos ruins.

“A pandemia provocou uma crise que será lembrada por um bom tempo pelos consumidores e pelas empresas brasileiras . Precisamos ter fé, confiança, coragem para superar tudo isso” conclui a empresário Márcia Guarienti.