Édson Sebastião do Nascimento, de 59 anos, recebeu liberdade provisória, sem pagamento de fiança, nesta segunda-feira (8). Ele foi preso em flagrante após atropelar e matar Carlos Eduardo Camargo dos Santos, de 12 anos, em Cascavel. No teste do bafômetro, foi indicado que o condutor estava embriagado.
Na concessão da liberdade provisória, a decisão é justificada com o argumento de que Édson não possui antecedentes ciminais e que não deve voltar a cometer o crime, se ficar em liberdade.
“Deste modo, não se justifica a conversão do flagrante em prisão preventiva”, consta no documento.
O caso é tratado como homicídio culposo.
A decisão assinada pela juíza Filomar Helena Perosa Cerezia ainda estabelece que o caminhoneiro deve usar tornozeleira eletrônica, com validade de três meses. Ele também não pode frequentar lugares que vendam bebidas alcoólicas, como bares e boates.
Nota da defesa
Antes da audiência de custódia, a defesa de Édson se manifestou sobre o acidente. Leia na íntegra:
“A defesa, por intermédio de sua advogada, manifesta profundo pesar pelo falecimento do adolescente envolvido no trágico acidente ocorrido em Cascavel, solidarizando-se sinceramente com seus familiares e amigos neste momento de dor.
Esclarece-se que o veículo trafegava em baixíssima velocidade ao realizar manobra de conversão. Em razão das limitações estruturais de visibilidade de composições de grande porte, o condutor não avistou o atropelamento na via. Tão logo alertado por populares, parou imediatamente o veículo e permaneceu no local, colaborando integralmente com as autoridades.
Edson prestou esclarecimentos em interrogatório e encontra-se profundamente abalado com o ocorrido. A tragédia o afeta de forma igualmente devastadora.
Os fatos ainda se encontram sob apuração pelas autoridades competentes, sendo prematura a formação de conclusões definitivas. A defesa está comprometida com o devido processo legal, a presunção de inocência e as garantias constitucionais asseguradas a todo cidadão.”
Com informações G1 Oeste
Como foi o atropelamento
O atropelamento aconteceu no domingo (7), no cruzamento das ruas Serra da Borborema e Serra do Vento. Segundo o Corpo de Bombeiros, o caminhão fazia uma conversão na esquina quando atingiu a criança.
De acordo com as informações apuradas pelas equipes de segurança, o garoto brincava com uma bola de futebol quando ela correu em direção à rua. Ao tentar pegar a bola de volta, o menino acabou sendo atingido pelo caminhão, que fazia uma curva no cruzamento.
Equipes de socorro do Siate e um médico dos Bombeiros foram chamados às pressas e tentaram de tudo para salvar o menino, mas os ferimentos eram muito graves. Carlos Eduardo morreu ainda no local do acidente. Ele era aluno do 7º ano no Colégio Estadual Marcos Cláudio Schuster.
Agentes da Guarda Civil que passavam pela região deram o primeiro apoio na situação. O supervisor Duarte, da Guarda, informou que o caminhoneiro alegou não ter percebido que tinha atingido a criança na hora da curva. Ele só parou o veículo cerca de 150 metros depois, porque as pessoas na rua começaram a gritar e a acenar para avisar sobre o atropelamento.
Ao voltar para ver o que tinha acontecido, o motorista começou a ser agredido por vizinhos que estavam revoltados com a situação. Um policial que passava pelo local, mesmo estando de folga, interveio e segurou o motorista para protegê-lo até a chegada de reforço. Tomada pela indignação, a vizinhança também quebrou partes do caminhão usando pedras e pedaços de madeira.
O teste do bafômetro foi realizado no local e confirmou que o motorista tinha 0,67 miligramas de álcool no organismo, um valor que é considerado crime por dirigir embriagado. Segundo os guardas, o caminhoneiro estava bastante abalado e nervoso.
O motorista recebeu voz de prisão e foi levado para a delegacia da Polícia Civil. Por causa dos ferimentos que sofreu durante as agressões logo após o acidente, uma ambulância do Samu precisou ir até a delegacia para levá-lo a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Ele passou por exames médicos antes de voltar para a carceragem, onde permanece à disposição da Justiça.
O local do acidente foi totalmente isolado para o trabalho dos peritos. Depois que o local foi analisado, o corpo de Carlos Eduardo foi recolhido pelo Instituto Médico-Legal (IML) de Cascavel para os exames necessários e depois ser liberado para a família. A Polícia Civil está investigando o caso.







COMPARTILHE ESTE CONTEÚDO