O prefeito de Corbélia, Thiago Stefanello, divulgou um pronunciamento nesta quarta-feira, 13, detalhando as medidas adotadas pelo município na tentativa de reduzir os impactos da praça de pedágio instalada entre a sede do município e o Distrito da Penha. Apesar das ações realizadas pela administração municipal nos últimos meses, o prefeito reconheceu que, até agora, nenhuma delas trouxe resultado efetivo para a população.
“Estão todos indignados, nós também.”
Na fala, Stefanello relembrou que a definição da praça de pedágio em Corbélia teve origem ainda no programa Anel da Integração, implantado no Paraná na década de 1990. Segundo ele, os estudos realizados em 1997 já apontavam a localização da praça entre o Distrito da Penha e a sede do município, com a cobrança iniciando em 1998.
O prefeito também afirmou que, durante os debates sobre a nova modelagem das concessões rodoviárias, entre fevereiro e abril de 2021, haveria a possibilidade de discutir a retirada ou mudança da praça, o que não ocorreu.
“Esse, portanto, era um momento adequado para se discutir a localização e a retirada do pedágio. O que não aconteceu de forma adequada e o pedágio permaneceu em Corbélia.”
Desde a confirmação do novo lote de concessão, a Prefeitura passou a adotar uma série de medidas tentando amenizar os impactos aos moradores. Em outubro de 2025, após a definição da nova concessionária do Lote 5, Stefanello já havia afirmado que o município buscaria diálogo para garantir gratuidade ou descontos aos moradores dos distritos.
Posteriormente, a administração municipal anunciou estudos para criação de subsídios e alternativas viárias caso as negociações não avançassem. Também foi aberto um levantamento para identificar quantos moradores utilizam diariamente a praça de pedágio para trabalhar ou acessar serviços essenciais.
Antes da assinatura do contrato da nova concessão, em janeiro deste ano, o município ingressou na Justiça Federal com uma ação civil pública tentando garantir o direito de deslocamento sem cobrança da tarifa entre os distritos e a sede do município. O pedido liminar, no entanto, foi negado em fevereiro.
Na sequência, a Prefeitura apresentou um agravo de instrumento junto ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), mas novamente a decisão foi desfavorável.
“O município de Corbélia tentou na via judicial garantir o direito dos cidadãos de Corbélia? Sim. Por duas vezes e ela nos foi negada.”
Segundo Stefanello, a Justiça considerou que existem rotas alternativas ligando o município aos distritos e também levou em conta o desconto previsto para usuários frequentes por meio da utilização de TAG eletrônica.
Além das tentativas judiciais, o prefeito afirmou que o município também buscou negociação direta com a concessionária responsável pela rodovia na tentativa de garantir algum tipo de isenção aos moradores de Corbélia. Porém, conforme relatado, a empresa informou que seguirá integralmente as regras previstas no edital da concessão.
“Estamos em constante diálogo com a concessionária, porém a resposta é que vão seguir as regras do edital sem nenhum tipo de exceção para quem quer que seja.”
Outra alternativa estudada pela administração é a abertura de novos desvios rurais. A Prefeitura afirma que mantém diálogo com proprietários de áreas particulares para tentar viabilizar novas rotas além das já existentes pela Linha Samambaial e pela região do Bom Jesus até a Colônia Nova.
Entretanto, segundo o prefeito, ainda não houve autorização para implantação dos novos caminhos.
“Não encontramos ainda um agricultor disposto a permitir que o desvio seja realizado pela sua propriedade.”
Durante o pronunciamento, Stefanello também revelou que o município solicitou à concessionária estudos para implantação do modelo free flow, sistema de cobrança automática sem praça física. Conforme explicou, a alteração poderia permitir o deslocamento da estrutura em até cinco quilômetros do local atual.
“Nós já solicitamos à concessionária para que ela faça esse estudo da modificação do modelo tradicional para o free flow e que nós possamos então levar a praça de pedágio para depois do trevo do Distrito da Penha.”
Enquanto as alternativas seguem em discussão, a Prefeitura afirma que continuará realizando manutenção nas estradas rurais utilizadas como desvio pela população.
Ao final da fala, o prefeito anunciou que o município prepara um projeto de lei para criação de um subsídio destinado a moradores que precisam passar diariamente pela praça de pedágio para trabalhar. Recentemente, a administração municipal informou que já realizou um pré-cadastro de usuários frequentes para dimensionar o impacto da medida.
“Nós queremos usar o nosso imposto que vamos receber do pedágio para devolver isso à população que precisa por ali passar e trabalhar.”
Ao encerrar o pronunciamento, Stefanello afirmou que o foco da administração é continuar buscando alternativas dentro dos limites legais.
“Não há o que remoer do passado, não há que encontrar culpados. Nós precisamos buscar soluções e é pra isso que estamos aqui trabalhando.”












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