O nível do Rio Paraná chegou a 120,81 metros acima do nível do mar na estação Puente de la Amistad nesta quinta-feira (15), de acordo com dados da Comissão Especial de Cheias da Itaipu Binacional. Esse era o pico previsto para essa frente que passou, e a expectativa é que, a partir de agora, o nível do rio Paraná apresente uma leve tendencia de redução, com valores oscilando entre 121,66m a 120,44m. As equipes, no entanto, reforçam que o momento é de cautela, pois há previsão de novas chuvas nos próximos dias.
“Trabalhamos com dados diversos centros de previsão meteorológica fazer previsões para diferentes cenários. Porém, existem um certo grau de incerteza e nem sempre as previsões chuva se confirmam. Evidentemente, esperamos que as chuvas cessem, mas também precisamos estar preparados para qualquer situação”, explicou o coordenador da Comissão, o engenheiro Paulo Zanelli Jr.
Na manhã desta quinta-feira, a equipe da Itaipu se reuniu com representantes da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e da Marinha para alinhar as ações diante da cheia. Durante o encontro, foi reforçada a importância de a população acompanhar o Boletim Hidrológico, disponível em www.itaipu.gov.br. Publicado em português e espanhol, o documento apresenta informações atualizadas sobre a situação hidrológica.
População
Não foram registrados novos alagamentos em residências na Vila Bancária, na margem brasileira do rio, onde cinco famílias precisaram deixar suas casas. Também foram atingidos o Porto de Areia, às margens do Rio Iguaçu, e o Cataratas Iate Clube, às margens do Rio Paraná.
No Paraguai, continuam as ações de assistência e retirada preventiva de moradores dos bairros San Rafael e San Agustín, em Ciudad del Este. Mais de 600 pessoas já foram transferidas para locais seguros pela Assessoria de Responsabilidade Social da Itaipu.
Gestão do reservatório
A cheia foi provocada por chuvas acima do previsto na bacia incremental, no próprio reservatório de Itaipu e na bacia do rio Iguaçu.
A Itaipu atua sobre a vazão liberada pelo reservatório, mas não controla as águas do rio Iguaçu, que deságua no Paraná a jusante da usina. O aumento expressivo da vazão do Iguaçu reduz a capacidade de escoamento do Paraná no trecho de confluência dos dois rios, elevando o nível do Paraná. Esse fenômeno é conhecido como “efeito de remanso”.
Zanelli lembra que Foz do Iguaçu e Ciudad del Este já enfrentaram cheias em outras ocasiões. “As maiores cheias históricas registradas na região ocorreram em 1992, 1983 e 2014, nesta ordem. Cada um desses eventos proporcionou experiências e aprendizados importantes, que contribuíram para aprimorar o monitoramento, o planejamento e a atuação das equipes da Itaipu, sempre com o objetivo de zelar pela segurança da barragem e minimizar os impactos das cheias sobre a população”, afirma.
Por meio da gestão do reservatório e da operação da usina, a Itaipu contribui para o controle da vazão do Rio Paraná. Essa atuação permite regular o escoamento da água dentro dos limites operacionais e contribui para a gestão das cheias a jusante da barragem. A Divisão de Estudos Hidrológicos, vinculada à Diretoria Técnica, mantém o monitoramento hidrometeorológico permanente.
Vertedouro
Na manhã desta quinta-feira, por questões operacionais, foi aberta a calha central do vertedouro da Itaipu Binacional. A vazão de vertimento chegou a 12.600 m³/s, pelas calhas esquerda e central.





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