Paraná integra rede nacional de pesquisa genômica para Covid

O Paraná vai colaborar com as informações nacionais relacionadas à reação dos organismos dos pacientes ao vírus

Paraná integra rede nacional de pesquisa genômica do novo coronavírus - Curitiba, 08/03/2021 - Foto: Divulgação SETI

A Rede de Estudos Genômicos do Paraná passou a integrar a rede nacional, denominada Rede Corona-ômica Brasil, vinculada à Secretaria de Pesquisa e Formação Científica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. A ação vai possibilitar, entre outros benefícios, o compartilhamento de análises genéticas de amostras de pacientes infectados com o novo coronavírus e o aporte de recursos financeiros da União para o custeio de pesquisas paranaenses.

A Rede Corona-ômica Brasil tem como objetivo promover o sequenciamento genético do SARS-CoV-2 em todo o País e monitorar as mutações do vírus. A iniciativa é resultado de uma articulação entre o superintendente de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, Aldo Nelson Bona, e o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Cesar Pontes, sob o direcionamento do governador Carlos Massa Ratinho Junior.

Aldo Bona sinaliza que o Paraná vai colaborar com as informações nacionais relacionadas à reação dos organismos dos pacientes ao vírus e afirma que o intuito é trabalhar com sequenciamento genético e fazer estudos da correlação entre o vírus, a doença e a reação imunológica, contribuindo para o desenvolvimento, de maneira mais assertiva de diagnósticos e tratamentos, assim como trabalhando com a produção de conhecimento associado ao tema.

As mutações do vírus em circulação no atual momento da pandemia reforçam a urgência de avançar com os estudos e pesquisas. Aldo ainda explica que os resultados obtidos pelos pesquisadores auxiliam o processo de tomada de decisão de autoridades sanitárias e governamentais, com foco na definição de protocolos de vigilância, controle, tratamento e prevenção da doença.

Segundo o secretário de Pesquisa e Formação Científica do Ministério, Marcelo Morales, mais de 2.400 amostras passaram, até agora, por sequenciamento genético em todo território nacional e que é fundamental a junção de esforços para o monitoramento e sequenciamento do genoma do vírus circulante, pois a ação conjunta permite a adoção de medidas em tempo hábil.

As atividades da Rede de Estudos Genômicos do Paraná são coordenadas pelo doutor em Ciências Médicas, David Livingstone Alves Figueiredo. Ele ressalta que além de aumentar a capilaridade dos nossos estudos, o trabalho em rede possibilita a troca de conhecimento com vários cientistas, contribuindo para o aprendizado em torno dos grupos genéticos do vírus em circulação no Paraná e no Brasil.

Além do superintendente Aldo Bona e do coordenador David Livingstone, o documento de formalização da adesão da Rede Estadual à Rede Nacional também foi assinado pelo presidente da Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Paraná, Ramiro Warhaftig.

PESQUISA – Lançada em julho do ano passado, a Rede de Estudos Genômicos do Paraná tem como objetivo contribuir para o avanço e desenvolvimento de metodologias aplicadas ao diagnóstico e prevenção de patologias de base genética, tais como doenças oncológicas e a própria Covid-19, infecção causada pelo novo coronavírus.

Instituída no âmbito do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação em Genômica (Napi Genômica), uma das primeiras iniciativas empreendidas pela rede paranaense, o Projeto Genoma Covid-19 reúne mais de 200 pesquisadores de instituições de ensino e de pesquisa, públicas e privadas.

Esse projeto estuda o comportamento do novo coronavírus em pacientes com quadros clínicos graves, moderados e leves ou assintomáticos, internados em enfermaria e em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) com ventilação pulmonar, além de pacientes curados sem a necessidade de transferência para a UTI.

VALE DO GENOMA – O Governo do Paraná vem articulando a formalização do Vale do Genoma, um polo de startups voltado para saúde e genética. Pioneiro no Brasil e no mundo, o projeto será instalado em Guarapuava, no Centro-Sul do Estado, baseado em um modelo de coopetição – conceito organizacional que alia a cooperação à competição, favorecendo o crescimento de segmentos empresariais e profissionais.

A iniciativa consiste na estruturação de um ecossistema de inovação inédito de genômica e inteligência artificial aplicada à saúde, com foco na geração de negócios entre startups e outras empresas, contemplando também as áreas da agricultura e agropecuária. O intuito é desenvolver soluções inovadoras, considerando tendências tecnológicas e conhecimento científico, mediante a participação de pesquisadores e membros da comunidade acadêmica.

REDEVÍRUS – A rede reúne especialistas, representantes de governos, agências de fomento, centros de pesquisas e universidades, com o propósito de integrar ações de combate a viroses emergentes, no âmbito do MCTI. Funciona como um comitê de assessoramento estratégico, atuando na articulação de laboratórios e atividades de pesquisa, com foco na eficiência econômica e na otimização e complementaridade da infraestrutura.

CORONA-ÔMICA – Área da RedeVírus do MCTI responsável pelo monitoramento e sequenciamento do genoma do novo coronavírus circulante no País, com a finalidade de subsidiar medidas estratégicas de combate à pandemia em tempo hábil. Também acompanha a evolução do SARS-CoV2 na infecção de pessoas em diferentes regiões do Brasil. A partir de uma análise acurada, a Rede Corona-ômica Brasil tem como objetivo identificar mutações do vírus e potenciais focos terapêuticos.

Fonte: AEN