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Corbélia celebra 64 anos com homenagens a pioneiros e ex-prefeitos que marcaram a história do município

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A cerimônia oficial pelos 64 anos de Corbélia, realizada na manhã deste domingo durante a programação da Expobélia 2025, destacou momentos de reconhecimento a pessoas que contribuíram diretamente para a construção e desenvolvimento do município. Além da entrega de placas aos pioneiro, o evento também homenageou ex-prefeitos e ex-vice-prefeitos que fizeram parte da trajetória administrativa de Corbélia.

A solenidade reuniu autoridades municipais, estaduais e lideranças locais, em um momento que resgatou a memória da cidade e valorizou a história construída ao longo de mais de seis décadas.

Os dois pioneiros escolhidos para serem homenageados foram a Sra. Catarina Hotz Tebaldi, de 87 anos, moradora da Comunidade de São Pedro e integrante de uma das famílias que chegaram à região ainda na década de 1940, e o Sr. Paulo de Souza, de 98 anos, um dos primeiros colonizadores a se estabelecer no território que hoje forma Corbélia.

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Ambos participaram diretamente da formação da comunidade local, enfrentando as dificuldades do início da colonização, contribuindo para a organização das primeiras estruturas sociais e ajudando a impulsionar o desenvolvimento agrícola e comunitário do município. Durante a cerimônia, os dois receberam uma placa de agradecimento pelo legado deixado às gerações futuras. (Confira abaixo a história de ambos homenageados)

Homenagem aos ex-prefeitos e ex-vice-prefeitos

Outro momento importante da cerimônia foi a homenagem às lideranças que administraram o município ao longo das últimas décadas. Os ex-prefeitos e ex-vices receberam uma placa entregue pelo prefeito Thiago Stefanello e pelo vice-prefeito Sandro Huf, em reconhecimento aos serviços prestados à comunidade corbeliense.

Foram homenageados:

  • Delso José Trentin e Reni Dal Bosco — Gestão 1983–1988
  • Nilson de Oliveira e Celmo Giglio (Celmo ausente por viagem) — Gestão 1993–1996
  • Clovis João Bombarda — Gestões 1997–2000 e 2001–2004
  • Eliezer José Fontana, e Jair Luiz Fontana — Gestões 2005–2008 e 2009–2012
  • Ivanor Damião Bernardi e Nelita Ceriolli Bombarda – 2013–2016
  • Giovani Miguel Wolf Hnatuw e Dangelles Decki — Gestões 2017–2020 e 2021–2024

A entrega das homenagens destacou a importância das gestões anteriores para o crescimento e modernização do município, reforçando a continuidade administrativa e o respeito à história política de Corbélia.

A trajetória de Catarina Hotz Tebaldi

Aos 87 anos, Catarina Hotz Tebaldi recebeu o reconhecimento representando as famílias que vieram ao Oeste em busca de oportunidades e contribuíram para a formação das primeiras comunidades rurais. Natural de Itaiópolis (SC), Catarina chegou ao Paraná ainda criança, aos 10 anos, acompanhando os pais Demétrio e Bárbara Hotz e os nove irmãos, em uma viagem que durou 32 dias. O trajeto foi feito com duas carroças carregadas de mantimentos e utensílios, enquanto as crianças maiores e os adultos caminhavam a pé.

O destino inicial da família era a região de Catanduvas, após relatos de que o local possuía terras férteis para cultivo. Na época, Cascavel ainda era chamada de Encruzilhada e possuía pouco mais de uma dezena de casas. A caravana, guiada pelo irmão mais velho, Pedro Hotz, e acompanhada por outra família, instalou-se na comunidade de São Pedro, onde viviam cerca de dez famílias.

A primeira moradia foi construída com tábua lascada de pinheiro, em uma região descrita pelos pioneiros como “a terra onde tudo o que se planta, dá”. Catarina cresceu trabalhando na agricultura e, mais tarde, casou-se com Ricardo Tebaldi (in memoriam), ligado à atividade madeireira e ao desenvolvimento rural da região. Juntos, cultivaram soja, milho e trigo, sempre atuando ativamente na comunidade local. Hoje, Catarina é viúva, mãe de quatro filhos, com 1 genro, 3 noras, 9 netos e 7 bisnetos. Sua mensagem aos jovens — “com trabalho, fé em Deus e fazendo o bem, tudo se vence” — foi lembrada na homenagem.

A vida e o legado de Paulo de Souza

O outro homenageado da manhã foi Paulo de Souza, de 98 anos, que chegou à região em 1948, quando o território ainda pertencia a Foz do Iguaçu. Nascido em Rio Negrinho (SC), Paulo chegou ao Oeste com 20 anos, após uma expedição de 36 dias formada por seis carroças e três famílias.

A viagem foi marcada por estradas precárias, matas fechadas, rios e a falta de estrutura mínima. A região não tinha energia elétrica e as casas eram de pau a pique, iluminadas por lamparinas. A água era obtida em poços cavados em mutirão pelas famílias. Em meio aos desafios, ele ajudou na abertura das primeiras estradas, incluindo o acesso entre Corbélia e o Rio Piquiri, e na construção de igrejas, escolas e moradias.

Ao longo da vida, trabalhou como agricultor, marceneiro, comerciante e criador de porcos, cultivando feijão, trigo e arroz. Também enfrentou momentos marcantes da história local, como a geada preta de 1962, o tornado de 1963 e a seca de 1977. Conhecido pela coragem, chegou a enfrentar uma onça durante uma caçada e fazia vigílias para proteger o gado das famílias da região.

Casado em 1953 com Rosinha Mujol (in memoriam), Paulo é pai de sete filhos, avô de 13 netos, bisavô de 12 bisnetos e tataravô de duas meninas. Sua atuação comunitária e espírito solidário foram lembrados na entrega da placa que simboliza a gratidão do município.

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